Soroche: O que é, quais são os sintomas, e como amenizar o mal de altitude

Eu adoraria contar pra vocês que o tal do soroche é um exagero. Que é só um mal estarzinho passageiro, coisa de nada. Mas, não posso. O mal de altitude me pegou de jeito na nossa viagem ao Peru.

Quando você começar a planejar a viagem (a nossa era pra Cusco e Machu Picchu), inevitavelmente vai ouvir falar dele. Está nos sites de viagens, de hotéis, nas orientações que os agentes fazem ao entregar os vouchers.

Mas, o que é o bendito do soroche?

São sintomas como falta de ar, cansaço extremo, dor de cabeça e enjoo, que boa parte dos viajantes sente até se acostumar com a diferença na altitude. No caso de Cusco, são 3400 metros acima do nível do mar. Machu Picchu fica um pouco abaixo, a cerca de 2.400 metros.

cusco

Tudo era motivo pra sentar e descansar no primeiro dia em Cusco.

O soroche te ronda assim que você chega ao aeroporto de Cusco. O ar é muito mais rarefeito do que a maioria de nós está acostumada. Na empolgação da chegada, da novidade, de observar tudo, quase nem senti. Ilusão pura… não demorou muito pra perceber que eu havia menosprezado o mal de altura.

Quando chegamos ao hotel, encontramos dois hóspedes na portaria – estavam sentadinhos, com expressão abatida e com um cilindro de oxigênio ao lado (os melhores hotéis disponibilizam cilindros de oxigênio pra quem acha que não vai conseguir aguentar o rojão. Alguns até tem tubulações que levam mais oxigênio aos quartos).  Também havia garrafas térmicas com chá de coca no saguão.

Fizemos o check in, levamos as mochilas para o quarto e resolvi tomar um banho. Eu juro pra vocês: quando saí do chuveiro, estava exausta, apenas por ter levantado os braços para lavar o cabelo. Tá, eu não sou nem um pouco atlética e meu preparo físico é horrível. Mas eu tô falando de lavar o cabelo, gente. Só-lavar-o-cabelo. Achei até graça, deitei na cama, e eu só queria ficar ali deitada…por uns cinco dias.

PERU 1325

Na porta do hotel, literalmente pegando fôlego pra começar a passear

Mas, dormir, a gente dorme em casa, né?  Aos pouquinhos, fomos nos acostumando. Por via das dúvidas, tomamos o chá de coca, pegamos umas balinhas de coca com mel, e perguntamos o valor e como funcionavam os cilindros (porque injeção na testa pode até ser de graça, mas cilindro em hotel não é não).

Estávamos em quatro pessoas (3 adultos e uma criança)  e cada um sentiu o soroche de um jeito. Um incomodozinho na cabeça de leve pra um, uma respiração mais ofegante pra outro, ou a sensação de ser atropelado por um caminhão. Acredito mesmo que, pelo menos em Cusco, é impossível não sentir algo, mesmo que seja de leve.

O fato é que pra mim bateu mais forte! E olha que eu sou resistente, se tenho umas três dores de cabeça por ano é muito. Em Cusco, eu andava e parecia ter corrido uma maratona. A dorzinha (bem) leve de cabeça durou a viagem inteira. E o ponto alto mesmo foi o dia do enjoo.

No almoço, comemos várias coisas, mas não consigo me lembrar de nada. Sei, pelas fotos, que havia uma sopa.

PERU 081

Olha o choclo ali, no cantinho do prato, embaixo do garfo

Não consigo me lembrar se experimentamos o Cuy, uma espécie de porquinho da índia, uma das comidas típicas de lá. Pode até ser essa carne aí, na foto cima, mas, se comemos, fiz questão de apagar da memória (tem um relato ótimo no Dondeando ).

Na minha cabeça só ficou o choclo. O milho peruano deve ser até gostoso para quem não sentiu o enjoo que eu senti. O grão é maior. A cor é diferente.  Ficou na minha cabeça, mas não parou no meu estômago.

PERU 187

“Tô brincando na foto, mas logo foi começar a passar muito mal”

Depois do almoço fizemos um passeio a um dos maravilhosos sítios arqueológicos do Peru. De ônibus. Balançando. Vou poupar vocês dos detalhes, mas eu passei mal demais. Como não estou acostumada a passar mal, foi algo desastroso. Me senti peeeeéssima. Os meninos desceram em um segundo ponto de visitação e eu resolvi esperar no ônibus. Quando eles voltaram, viram de longe que eu estava dando show de horrores na janela. Jean riu. Eu fiquei umas duas horas sem falar com ele.

PERU

Péssimas recordações desse ônibus aí

Como evito tomar remédios a todo custo, nem cogitei tomar sorojche Pills, que, dizem, é o mais usado pelos turistas. Meu medo de ter uma reação em outro país era maior que qualquer desconforto que eu pudesse sentir.

Minha dica principal é: programar a viagem com pelo menos um dia extra, para chegar e ficar bem relaxado – e se acostumar ao soroche antes de partir para Machu Picchu, outros sítios arqueológicos, ou mesmo passeios mais intensos pelas ruas de Cusco. Vale também para qualquer outro local que fique em altas altitudes (como bem contou o pessoal do Territórios) . Experimente o chá de coca, disponível em quase todo lugar. Não mascamos as folhas, mas muita gente faz (Segredos de Viagem explica direitinho). No mais, beba muita água (mesmo sem sede), invista em comidas leves, não exagere no álcool, e não ultrapasse seus limites. Se perceber que a respiração está ficando difícil demais, procure um cilindro (infelizmente, em Machu Picchu, vimos um idoso passar muito mal e precisar ser levado em uma maca).

Se você for e sentir nadinha de nada, por favor, volte aqui e me conte. É muita raridade.

PERU 231

Não se intimide! Apesar do soroche, o Peru é maravilhoso! 

 

 

Um comentário sobre “Soroche: O que é, quais são os sintomas, e como amenizar o mal de altitude

  1. Pingback: Machu Picchu: quando ir, como chegar.  E como me senti por lá | VIAGEM MASSA

Oba! Comentários são uma alegria!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s