Você já é avó? O dia em que a idade bateu forte na minha cara!

(Do antigo blog Apagar Histórico)

Foi inesperado, na aula de pilates funcional. Falávamos sobre família e eu disse: Acho que o amor de avó deve ser o maior amor do mundo (e estava pensando na minha mãe, claro, que é a melhor avó do mundo).

A outra aluna soltou a frase: “ ah, você é avó?”

Respondi: NÃO (simples assim, curto e quase grosso).

Mas pensei: Como assim, já sou avó? E eu lá tenho idade para ser avó? Gente! Olha bem pra minha cara? Será que foi isso mesmo que ela disse… é, foi isso mesmo. Nossa Senhora! Não tem noção de faixas etárias?

E foi aí que eu me dei conta.

Ela estava certíssima! Sim. Eu já tenho idade para ser avó. (cai o mundo!)

Meu marido, que tem praticamente a mesma idade que eu, tem um filho de 21 anos.  Ninguém estranharia se já fosse vovô.

avoMesmo assim, foi um choque. E eu ainda não me recuperei dele.

Eu tenho 40 anos. Tenho idade pra ser vovó.  Não combina.

Não combina com dançar até me acabar, viajar de maneira improvisada, procurar novas e longas trilhas, falar besteira e rir até cair. Pensar que provavelmente já vivi mais da metade de uma vida, não combina com o tanto de planos para o futuro que ainda faço. Desde os mais simples, como concluir meu “projeto-verão” e entrar feliz da vida no biquíni, aos mais elaborados como dar a volta ao mundo.

Sei que eu tenho sorte. Os meus 40 primeiros anos de vida foram realmente muito bem vividos, com um pouquinho de tudo o que acreditamos ser necessário para uma “vida feliz”. Teve aventura, teve segurança, família, amigos e inimigos, cachorro, papagaio, teve (e ainda tem, graças a Deus) muito amor. E até um pouquinho de drama, necessário. Tenho filho, plantei árvore … falta o livro.

O fato é que, desde o “você é avó?”, tento me convencer que essa passagem do tempo não é tão ruim assim. Ainda não consegui, mas sigo firme neste propósito. Como dizia Cazuza, o tempo não para. Então o jeito é fazer dele um aliado. Ou pelo menos, tentar não me desesperar.

Para servir de inspiração:

Dona Ainda Gemaque, de 103 anos, surpreendeu o mundo ao pular de paraquedas, em 2013, aqui no Brasil mesmo. Mais coragem que eu!paraquedista

Johanna Quaas, da Alemanha, tinha 86 anos quando se apresentou na Copa do Mundo de Ginástica e arrasou!

ginasta

Dana Jackson tinha 100 anos quando se casou com Bill Stauss, de 87, nos Estados Unidos.dana jackson

Omkari Panwar, de 70 anos, se tornou a mãe mais velha do mundo quando deu à luz gêmeos, na Índia.omkariNa flórida, um concurso reúne beldades que já passaram dos 40 e são vovós (nem com 18 anos eu tinha corpitcho como esses!).vovos gatas

E pra encerrar o texto de Rubens Alves sobre Jabuticabas:

 “Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.

Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo.

Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de ‘confrontação’, onde ‘tiramos fatos a limpo’.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: ‘as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.”

 Nada disso serviu para amenizar meu choque. Mas continuo tentando. 😉

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