Um caso de amor. Uma tragédia. Inhotim. O texto que foi sobre o que não seria

“- A gente corre pra se esconder.
E se amar se amar até o fim.
Sem saber que o fim já vai chegar.”

Era um amor antigo. Separados durante a juventude, não conseguiram resistir ao sentimento arrebatador, do reencontro, já na maturidade. Ele era professor. Ela, bancária. Durante as tardes, deixavam tudo de lado: trabalho, obrigações, famílias. Algumas horas, quase todos os dias, e vida lá fora deixava de existir.

Os encontros aconteciam sempre no mesmo local, o hotel Linda do Rosário, no Rio de Janeiro. Em setembro de 2002, funcionários ouviram estalos fortes e bateram de porta em porta, pedindo aos hóspedes que saíssem, por segurança. Quase todos conseguiram sair, antes que o prédio inteiro desmoronasse.  Maria e Rui permaneceram no quarto.

O hotel Linda do Rosário, no Rio de Janeiro

O hotel Linda do Rosário, no Rio de Janeiro

Os corpos do casal de amantes foram encontrados dois dias depois, em meio aos escombros. Contam que ambos estavam nus e abraçados, mas isso não posso afirmar ser verdade. Da minha parte, prefiro também acreditar que estavam assim. Não há como saber se dormiam quando o aviso de perigo foi dado. Há quem diga que apenas decidiram permanecer unidos, sem fugir, cansados de se esconderem.

marcelo cameloO amor de Rui e Maria virou inspiração. Marcelo Camelo escreveu a canção Conversa de Botas Batidas imaginando a última conversa do casal, já ciente do que aconteceria.

Seguem vídeo (http://www.vagalume.com.br/los-hermanos/conversa-de-botas-batidas.html) e letra da música.

Mas, preciso fazer uma pausa pra dizer que, embora não pareça, este é, ou seria, um post sobre Inhotim, um Centro de Arte Contemporânea, sensacional, que fica em Brumadinho, Minas Gerais. Depois eu explico. Olha a letra:

Conversa de Botas Batidas – Marcelo Camelo

A gente só queria um amor
– Deus parece às vezes se esquecer
– Ai, não fala isso por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho
Prepara uma avenida
Que a gente vai passar
– Veja você, quando é que tudo foi desabar
– A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar

Deixa o moço bater 
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar
Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem
Diz quem é maior
Que o amor
Me abraça forte agora
Que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer
Que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela
Vai cair

Linda, né? Pois é, me permiti divagar neste post porque já gostava demais da música, antes mesmo de saber da história de Rui e Maria. Pra você que deve estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com Inhotim…

É que foi lá que eu fiquei sabendo desse caso de amor! Tcharam!! 

Agora uma foto de Inhotim pra você ver que o assunto vai render um bocado! Inhotim Brumadinho Elaine Castro

A história de amor que resistiu ao tempo e à morte também foi a inspiração para uma das obras mais visitadas do Centro de Arte Contemporânea: Linda do Rosário, de Adriana Varejão.

Linda do Rosário - Adriana Varejão

Linda do Rosário – Adriana Varejão

 

Jean tentando entender a obra

Jean tentando entender a obra

Então foi isso, estávamos lá tentando entender a obra que mistura azulejos, vísceras e sangue, quando a monitora nos contou o caso. Fiquei tão impressionada que pesquisei tudo quando cheguei em casa. E quando comecei a escrever este post sobre Inhotim, só conseguia pensar neles. E também em como a arte é surpreendente e permite tantas interpretações e emoções!

Bom, agora que contei tudinho… vamos ao Parque, que é o que interessa.

Pensando bem, este texto já está grande demais. Além disso, gostaria que você ouvisse a música. Dá tempo?

Prometo contar tudinho, inclusive as informações úteis, 🙂  no próximo post.

Pra encerrar, outra obra de Adriana Varejão em Inhotim e o pavilhão dedicado à artista:

Adriana Varejão - O colecionador

Adriana Varejão – O colecionador

Adriana Varejão InhotimObrigada por divagarem com a gente. Desculpa qualquer coisa. E até a próxima!

 

8 comentários sobre “Um caso de amor. Uma tragédia. Inhotim. O texto que foi sobre o que não seria

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