O catamarã de Morro de São Paulo

Vinte horas atrás, eu estava no catamarã, voltando de Morro de São Paulo.  Agora, enquanto escrevo este texto, o computador parece balançar de um lado para o outro. Sinto que terei uma crise de labirintite. O detalhe é que eu não sofro de labirintite.

Não, eu não estou exagerando.  E sim, o catamarã de Morro de São Paulo balança. Balança com força.  E enjoa.

Mas não é sempre. Antes de embarcar pra Morro, o que eu mais ouvi foi: “Morro de São Paulo é lindo demais, um paraíso. Se não fosse o catamarã pra chegar até lá…”.  Eu estava receosa, apesar de não enjoar com facilidade, mas me achava preparada.

catamarã morro de são paulo

No terminal marítimo, apreensivos.

A ida de Salvador pra Ilha foi tranquila demais. Já estávamos com os bilhetes comprados para  9h30, entramos, escolhemos o lugar e pronto.  Marido e filho tomaram um remédio contra enjoo. Eu preferi não tomar.  A tripulação avisa que atrás a possibilidade de enjoar é menor, mas não achei, já que cheiro de óleo é muito forte e pode embrulhar os estômagos mais sensíveis. Para emergências, há coletes salva-vidas e saquinhos de plástico amarrados às cadeiras.

Repare nos saquinhos plásticos amarrados

Repare nos saquinhos plásticos amarrados

Como eu disse, a ida foi tranquila. Nós três não enjoamos nem um pouco.  Biel e Jean apagaram por causa do remédio e nem perceberam as duas horas de travessia. Eu fiquei acordada, traçando rotas de fuga em caso de naufrágio (mãe fica exageradamente dramática quando viaja com filho…). Vi umas três pessoas realmente enjoadas, correndo para o banheiro  (sim, tem banheiro). Vendem água e cerveja no catamarã, mas a gente preferiu não tomar líquidos, por garantia.

Testei e achei meio difícil tirar os coletes do lugar, em caso de acidente...

Testei e achei meio difícil tirar os coletes do lugar, em caso de acidente…

Na ida, a tripulação antecipa a cobrança da taxa de manutenção.  São 15 reais por pessoa, obrigatórios, destinados à conservação da ilha.  Guarde o papelzinho para apresentar na entrada de Morro. Olha aí como é bonito, logo na entrada (o nosso catamarã era bem parecido por fora com esse aí que aparece na foto abaixo).

A chegada! Super tranquilo!

A chegada! Super tranquilo!

Passamos dias maravilhosos em Morro de São Paulo.  Um paraíso, como você vai ver em alguns posts por aqui, logo mais. E eu pensava em como o povo exagera na hora de descrever o catamarã. Ah, gente… pelo amor de Deus, nem é tudo isso.

Não é?! Ah, tá! É tudo isso e muito mais!

Esperando o catamarã em Morro de São Paulo. A gente nem imaginava...

Esperando o catamarã em Morro de São Paulo. A gente nem imaginava…

Na volta pegamos o catamarã de 11h30 (com atraso, quase sempre – programe bem os voos). Foi só a embarcação deixar o cais, pra eu me arrepender de não ter tomado o remédio de enjoo.  Tomei logo. Todo mundo tomou. Durante as duas horas e meia de travessia, o catamarã balançou feito cavalo xucro (chucro?), de um lado pro outro, pra cima e pra baixo… uma loucura!   Se alguém ficou com medo do barco virar, eu não percebi. Parecia que todo mundo só tinha uma preocupação: não colocar tudo pra fora. Nós resolvemos ficar na frente, na esperança de que o vento e a água do mar ajudassem um pouco. Ficamos encharcados, enjoados, mas aguentamos firmes e fortes.  A capacidade de cada catamarã é de 120 passageiros e eu acredito que metade, pelo menos, tenha passado muito mal. Os saquinhos de plástico eram disputados! Não dava pra ficar em pé sem segurar, muito menos tirar fotos. Essa próxima foi tirada na ida, mas dá uma noção de como viajamos no catamarã da volta… Apenas imagine ondas fortes jogando água em todos, mãos agarradas aos ferros, e expressões muito mareadas. catamarã

Não sei se é sempre assim. Na madrugada anterior houve um temporal e isso pode ter contribuído para o mar tão agitado, não sei.

Eu já pensava: “Ah, Morro de São Paulo, eu  estava planejando voltar, mas agora…nunca mais”, quando Biel deu a solução: “mãe, da próxima vez, a gente vem de avião!”.

 Dicas:

– Se for direto do aeroporto para Morro de São Paulo, é aconselhável comprar a passagem do catamarã com antecedência, pela internet. Geralmente ainda tem na hora, mas vai que é justamente o dia em que a embarcação está lotada?  Se for ficar em Salvador, pode deixar pra comprar na véspera, em um dos muitos pontos de venda. Nós compramos no Pelourinho, na Bahia Ticket, para viajar pela Biotur, e não tivemos problema algum.

– As embarcações saem do Terminal Turístico Marítimo, que fica no Comércio, bem atrás do Mercado Modelo, pertinho do Elevador Lacerda e do Pelourinho. Se o tempo na Bahia for curto, dá pra planejar e visitar os outros atrativos turísticos rapidinho.

– Dizem que a travessia é mais tranquila na ida do que na volta. E sempre melhor de manhã do que à tarde. Não sei se tem explicação científica pra isso, mas foi assim com a gente.

– Se for tomar o remédio para enjoo, tome meia hora antes de embarcar.  Mesmo se achar que não vai ser necessário, leve um, nunca se sabe.

– Coma pouco e evite líquidos antes e durante a travessia.  E fique sempre com o saquinho de plástico à mão.

– Use roupas confortáveis, frescas e que sequem com facilidade. Principalmente se ficar um pouco na proa, sentindo o ventinho.  Para as mulheres, vestido não são uma boa pedida.

– Pagamos, por cada trecho,  76 reais por pessoa. Lembre-se que há também a  taxa de 15 reais (fevereiro/ 2014).

– O catamarã é o modo mais usado e com melhor custo-benefício, mas há outras maneiras de chegar a Morro de São Paulo.  A mais rápida (e cara) é o táxi aéreo. A Débora do Gosto e Pronto contou lá no blog dela que voltou de avião e achou que foi a melhor coisa!  A segunda opção é passar pela cidade de Valença, com direito da Ferry boat, lancha rápida e tudo.  E há a opção semi-terrestre,  por Itaparica, onde parte do percurso  é feita de ônibus ou van.  Não testamos, então prefiro não dar detalhes sobre as outras opções, mas ouvi dizer que as pessoas que enjoam demais  preferem fazer a travessia semi-terrestre, apesar de ser mais demorada.

Obrigada por passearem, e enjoarem, com a gente. E até a próxima!

36 comentários sobre “O catamarã de Morro de São Paulo

  1. Olá boa tarde massa mesmo a viagem de vcs lindas fotos…Nossa viagem está programada para fim de maio de 17.
    Amiga estou numa endecicão muito grande ir de catamarã ou semi terrestre
    Vi uma moça no YouTube falando q ficou em alto mar de catamarã pois os dois motores pagaram!
    E agora!!!!
    Mas a atravessa de vcs foi ótima,sei que não devo levar em conta esse vídeo de 2015
    Então vou analisar outros.
    Mas preciso da sua opinião
    Bjs

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  2. Olá! Estive em Morro agora em dezembro e a ida de Catamarã foi super tranquila até mesmo pra mim, que enjoo ao menor balanço até de metrô. Mas e a volta? Achei que fosse morrer. Vomitei o trajeto todo, fiquei entregue, sentada na frente do barco, levando jatos de água do mar. Não conseguia levantar, nao conseguia nem falar. Meu filho passou mal tb, e mal pude socorre-lo, sorte que o padrasto se sentiu bem. Foi umas das piores horas da minha vida. Tive muito medo de morrer, pq cogitei que aquele barco virasse de tanto que balançava. Quando chegamos a Salvador, esperei todos desembarcarem, pq estava envergonhada: toda banhada de vômito, da cabeça aos pés. Tive uma crise de choro de alívio e alegria por ter finalmente chegado. Amei Morro de São Paulo. Foram dias lindos, num lugar paradisíaco. Mas acho que não voltarei mais.

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  3. Achei interessante o seu post! Pretendo ir em Março/2015 pare pegar a segunda parte das minhas férias, pois a primeira parte vou para Recife em Outubro/2014. Você colocou um link para outro blog que relatava a travessia por avião e eu achei interessantíssimo a opção de voar pela Passaredo e fui pesquisar no site deles para saber o valor e para minha surpresa não existe a opção Valença nos campos de pesquisa.
    Então entrei em contato pelo e-mail sac2@voepassaredo.com.br e a atendente Carla Oliveira me respondeu hoje (15/08/2014) informando que a Passaredo não opera mais no Aeroporto de Valença.
    Infelizmente é uma opção a menos e pelo que vi em alguns blogs o preço era bem interessante!
    No mais, obrigado pelo seu relato, ajudou bastante!

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  4. Eu já tive boas e péssimas experiências com catamarã em Morro, mas sempre volto, torcendo pra não ser como na terrível “volta” em 2007. O barco ia bem alto, as ondas eram gigantes! Foi um horror, todos vomitando ao mesmo tempo. Eu foquei num ponto fixo e tentava não olhar para os lados, mas foram as duas horas mais longas da minha vida! Mas Morro sempre vale a pena! Faço sempre a ida pela via metade terrestre, metade aquática, principalmente por causa do preço, bem melhor que o catamarã!

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  5. Elaine, corrige o comentário que eu deixei, por este aqui: Minha esposa sofreu horrores no catamarã, em 2005. Na ida, fomos de lancha. O problema é a volta. Você pega a maré contra. Muita onda, o catamarã sai quase que totalmente da água e bate forte na volta. Se não tiver estômago forte, vai passar mal, com certeza. E ainda existe o sério risco de bater contra uma jubarte. Em 2005, um catamarã bateu numa jubarte e ficou à deriva. Uma das embarcações afundou, em 2006. Outro afundou em 2008, depois que o casco se partiu por conta da maré forte. Eu, sinceramente, da próxima vez que voltar a Morro, vou de carro até Valença. Deixo o carro lá, num estacionamento pago, e pego o barco que vai pelo braço de mar até Morro, super tranquilo, sem maré forte… E bem mais rápido do que de Salvador até lá.

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