“Não vai acontecer, mas se a gente se perder…” – Crianças e multidões

O meu maior medo é o de perder o meu filho. Sempre foi assim e chega a ser quase irracional. Por isso, desde sempre, adoto algumas regrinhas de segurança.

Quando chegamos a algum lugar, a primeira frase que ele escuta é: “Olha filho, não vai acontecer, mas se a gente se perder…” e continua:

1-      “Eu NUNCA irei embora sem você”.   A criança deve ter em mente que não deve deixar o local, não deve aceitar ser levada pra casa, não deve sair com estranhos.

2-      “Peça a um policial-segurança- vendedor-funcionário uniformizado que me ligue”.  Biel sabe o telefone de casa e o celular, mas, em locais de grande movimento, também anda com as informações importantes escritas em um papel.  Também oriento a procurar ajuda de pessoas credenciadas e a nunca seguir sozinho, com quem quer que seja, pra onde quer que seja.

3-      “O nosso ponto de encontro é...”  O local é determinado logo na entrada. De preferência no ponto de mais fácil acesso e visibilidade. No Magic Kingdom, por exemplo, foi o Castelo da Cinderela-  na parte da frente, sentado nos primeiros degraus. Na praia, é um quiosque ou guarda-sol mais colorido, ou a cadeira do guarda-vidas.

Harry potter Universal

Essa é a Vila do Harry Potter, no Universal. É fácil perder alguém aqui.

Acredito que vai ser mais fácil quando ele se convencer a andar com o celular. Por enquanto, não acontece.

Na nossa viagem a Orlando fiquei de olho nas fórmulas encontradas pelos outros pais, nos parques lotados, e até adotei algumas delas.

Fotos para registrar a roupa do dia do Biel

Fotos para registrar a roupa do dia do Biel

1ª (e super importante!): Ainda no estacionamento, tire fotos das crianças, de corpo inteiro. Será muito útil se, Deus nos livre, for necessário pedir ajuda para encontra-las.  Já que está com a câmera na mão, registre bem o local onde o carro está estacionado. É sério…os parques e estacionamentos são gigantescos e é muito fácil perder o veículo.O que vestir no parque

2ª Roupas com cores chamativas. Talvez as crianças não gostem muito dessa, mas é mais fácil enxergar uma camisa verde-luminoso do que uma no pretinho básico. Fiz questão de registrar essa família inteira vestida de amarelo-caneta-marcador.

Usamos a tática, semanas depois, quando participamos de uma romaria aqui no Espírito Santo. Cerca de quinhentas mil pessoas, caminhando 14 quilômetros. Olha a gente aí, com as camisas amarelas.Nossa Senhora da Penha

3ª Os americanos usam bastante, mas eu não sei se gostaria de usar também, essas mochilas-coleiras. A criança fica por perto, mas parece tão limitador…Coleira mochila

Parece exagerado pra você?  Pois mesmo com todo esse cuidado e preocupação, eu vou dizer que já perdi o meu filho. E não foi em um lugar super lotado, nem longe de casa. Foi no calçadão da praia, durante a caminhada que fazemos sempre. Eu à pé, ele de bicicleta. Biel seguia um pouquinho à frente e voltava. Seguia e voltava. Até que não voltou.

Juro que foi a pior meia hora da minha vida!  Juro também que corri sem parar, e sem respirar, os quilômetros que faltavam até o final do percurso, procurando por ele, enquanto o marido ficava esperando no ponto onde havíamos nos encontrado anteriormente.

Enquanto eu corria, perguntava a alguns conhecidos se haviam visto o Biel… e nada. Todo carro passou a ser suspeito; toda pessoa, sequestrador em potencial. Cabeça de mãe é bicho doido mesmo.

No final da praia, enquanto eu tentava raciocinar e pensar pra quem pediria socorro, ouvi a buzina da bicicleta dele. Cai no choro antes mesmo de me virar. E ele, percebendo o meu desespero, caiu no choro também.

O que aconteceu é que ele voltou, de acordo com o combinado, mas nós não nos vimos. Como o Jean estava parado no ponto determinado, eles se encontraram logo, mas eu não sabia. Quem passou pela praia naquele momento viu uma mãe ainda desesperada, aos prantos, enchendo o filho de beijo.

E porque estou contando essa história pra vocês? Pra mostrar que, quando se trata de crianças, nenhum cuidado é exagerado; que um segundo de distração, pode fazer diferença.

Gohan acordando o Biel

Gohan, nosso schnauzer, acordando o Biel

Nas noites seguintes ao passeio no calçadão, eu não consegui dormir direito. Meu filho já estava na cama, em segurança, mas eu não conseguia deixar de lado o pânico de ter perdido o Biel. E não conseguia parar de pensar que, todos os anos, de acordo com o Governo Federal, cerca de 40 mil crianças desaparecem no Brasil. Não posso imaginar a dor dessas famílias.  Desde então, tenho feito minha parte, mesmo que de maneira boba.  Compartilho qualquer foto de criança desaparecida que chegue à minhas redes sociais. Pode ser falso, brincadeira, mas…vai que é de verdade?  Esse post também é parte disso tudo.

O trecho a seguir faz parte do site desaparecidosdobrasil.org :

“Você  sabia que medidas imediatas de busca devem ser tomadas pois crianças modificam rapidamente a fisionomia e podem ser encaminhadas para adoção, traficadas para outra cidade ou país, ou levadas para abrigos onde podem ficar por tempo indeterminado?

Recomendações

 No caso do desaparecimento de uma criança ou menor de 18 anos faça um Boletim de Ocorrência na Delegacia mais próxima imediatamente.

* Leve uma foto recente da criança.
* Quando a criança reaparecer também é importante comunicar às autoridades.
* Oriente a criança a não conversar ou acompanhar pessoas estranhas.
* Ensine o nome dos pais e um telefone de contato para que os responsáveis sejam localizados se a criança se perder. Cole etiquetas na roupa e nos pertences das crianças com os dados dos responsáveis.

 BUSCA IMEDIATA – Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente, determina investigação imediata em caso de desaparecimento de criança ou adolescente.”

mochila coleira

Obrigada por passearem comigo. Fiquem de olho nas crianças. E até a próxima!

33 comentários sobre ““Não vai acontecer, mas se a gente se perder…” – Crianças e multidões

  1. Que dicas bacanas, adorei! Vamos fazer nossa primeira viagem à Disney em maio/2016, meus filhos terão 3, 5 e 9 anos e essa questão da multidão me assusta demais, fico procurando dicas na net o tempo todo mas ainda não me sinto segura, eu queria mesmo era uma corda moderna para amarrá-los em mim… rsrs

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  2. Olá Elaine, gostaria de dar seu depoimento contando essa experiência para uma matéria no site da Disney Babble voltado para mães e pais, e passar seu recado para muitas outras pessoas? (http://www.disneybabble.com.br/)
    Inclusive você menciona o Magic Kingdom e a ideia do ponto de encontro, uma ótima estratégia! Se tiver interesse, por favor, me escreva via e-mail, sou jornalista!
    Obrigada!

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  3. Pingback: Festa da Penha – A romaria que une mais de cem mil fiéis | VIAGEM MASSA

  4. Óla gostei muito da sua pagina!
    Muitas dicas legais, estava usando uma tática näo muito boa,” o homem do saco vai te pegar se vc sair de perto da mamäe” até que uma amiga da minha irmä falou: tadinho do seu filho ele só tem 3 aninhos, isso näo deve ser bom pra cabecinha dele, os medicos näo recomendam esse método. Bastou ela falar isso para eu me sentir a pior mäe do mundo e comecar com uma neura para achar uma outra forma de fazer com que meu filho näo se perca e gracas a Deus encontrei sua página que tem dicas muito boas. Nunca perdi meu filho mas mesmo assim meu coracäo pula pela boca em só pensar que um dos meus anjinhos desapareca. Tenho um menino de 3 e uma menina de 1.
    Obrigada mais uma vez.

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  5. Muito Legal esta pagina que pode orientar os pais como proceder em relação a perda dos filhos.Perdi meu filho de apenas 2 anos em um Shopping de Poços de Caldas, por 40 minutos, foi a pior experiencia da minha vida. Enquanto minha esposa procurava junto com os seguranças dentro do Shopping eu fui para saída do estacionamento e olhava dentro de cada veiculo que saia , foi horrível. 40 minutos foram uma eternidade. Apos uma semana do ocorrido, meu filho está apresentando febre e está muito assustado, acorda a noite chorando e não desgruda de mim e da mãe. Todo cuidado é pouco com nossos filhos.

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  6. Nossa, Elaine, adorei as dicas!! No fim do ano o Artur saiu dos meus olhos por uns 5 minutos no Beto Carrero.. ele falou: mãe, perai.. e saiu.. olhei pro lado e já não o vi mais. Parque lotadooo!!! Quase tive um treco!! Sai perguntando, gritando o nome dele.. ele estava proximo olhando um brinquedo.. enfim, foram minutos de pânico que só quem é mãe entende.. choro só de lembrar!!!
    Gostei das dicas e vou repassar o link no meu face pra todas as mães ficarem espertas.. são pequenas coisas que valem muitoo a pena lembrar!! bjão

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  7. Ainda não sou mãe (e nem planejo ter filhos em menos de dois anos), mas sou daquelas pessoas que gosta de ir estudando sobre temas que quer aprender, sabe? Então há alguns meses venho lendo textos (e compartilhando com meu marido) sobre maternidade e procurando aprender um pouquinho com as mamães fantásticas que estão espalhadas pela internet para poder, quando me tornar mãe, ser pelo menos um pouquinho como vocês. 🙂
    E aí que ADOREI esse seu post. Simplesmente sensacional. Confesso que derramei umas lagriminhas com a sua história. Posso imaginar seu desepero e depois o alívio ao encontrar o pequeno. Mas é isso aí, essas medidas com certeza ajudam e muito. Parabéns!
    (vou procurar me lembrar delas no futuro. hehe)
    Beijos,
    Nah.
    (Pra Ver em Londres)

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      • Eu perdi meu filho no Animal Kingdom (Disney) por uns 5 minutos também e fiquei louca..desesperada..ele só tinha 3 aninhos e eu não sei falar ingles direito..então chorando cheguei perto de uma loja e falei o que consegui e ela entendeu e ..na mesma hora vi que ela falou ao telefone para fechar o parque….eu consigo mais entender ingles do que falar e meu marido entrou novamente no brinquedo que a gente estava..era um de escavação de dinossauros e meu filho é loirinho de olhos azuis e era o que mais tinha lá….se fosse moreninho ia ser bem mais facil de achar…Meu marido achou ele dentro do brinquedo….O problema foi o seguinte..saimos os tres do brinquedo e eu fui pegar o carrinho na entrada e meu marido foi comprar um dinossauro para ele em uma loja quando eu voltei eu disse cade o Derek ? aí ele disse tá aqui e ele não tava mais…nunca chorei e gritei tanto..comecei a chingar ele ..ele devia ter olhado ele ..mas ele entrou no brinquedo pela frestinha e ninguem viu.

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  8. Adorei o post! Olha como estou indo pela 2x com minha filha a Disney confesso que uso tudo isso que vc citou: roupas chamativas, fotos e a mochila, tenho também feito pulseiras de identificação com nome dela, nosso nome, telefone, hotel. Claro que tudo isso pensando no lado positivo da criança ter se “perdido” , no caso de sequestro não quero nem imaginar. Imagino seu desespero. Meus pais contam que eu 1x com uns 5 anos tb dei um sustos desses neles na praia 😦

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  9. Pior sensação que pode existir!! Aconteceu comigo dentro das Lojas Americanas! Um piscar de olhos e não consegui mais enxergar meu filho, que na época devia ter uns 5 anos! Corri pra porta da loja e avisei ao segurança pra que ele não saísse sozinho dali! Graças a Deus, logo encontrei ele, mas os 5 minutos pareciam ser 5 dias! Adorei as dicas!

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