O texto que eu não consegui escrever – São Luis do Maranhão

Maranhão, dia 3- São Luís

Antes de começar a falar sobre São Luis, preciso esclarecer três coisas:

1º Não encontrei informações muito boas sobre a capital do Maranhão na maioria dos blogs de viagens que li.

2º Como as praias aqui no Espírito Santo são lindas e eu fui informada de que as de São Luís eram poluídas, não inclui a visita no meu “roteiro” sem planejamento. Eu não vi, mas turistas de Minas e São Paulo que conhecemos na viagem disseram que elas são bonitas e tem bons restaurantes.

3º Por essas coisas citadas acima, São Luís nunca foi realmente o foco dessa viagem. Eu apenas queria ver um pouco dos casarões e casarios e suas paredes de azulejo, por isso optei por ficar hospedada no Centro Histórico.

Praias

As praias de São Luís que eu só vi de longe

Pra falar a verdade está bem difícil escrever este texto. É que eu não tenho opinião formada sobre a capital do Maranhão e os sentimentos são contraditórios. São Luís tem identidade, personalidade forte, mas a parte que eu conheci (e que deveria ser muito valorizada) está tão acabadinha que dá dó. As paredes cobertas com azulejos, que eu queria tanto ver, estão totalmente desgastadas, pelo tempo e pelo descaso.

reviver

Mesmo desgastado consegue manter algo de belo

Bom, vamos lá, do início: Saímos bem cedo de Barreirinhas, de ônibus (numa viagem um pouco mais demorada, porém bem mais tranquila, em conta, e confortável que a de van). Na rodoviária de São Luis pegamos um táxi para o bairro Reviver, onde está o Centro Histórico. O taxista nem mencionou a possibilidade de ligar um taxímetro, por isso combine o preço da corrida antes de embarcar.

A gente não iria perder a chance, né?

A primeira impressão é estranha. As ruas são estreitas e parece não haver muito controle no trânsito. Todo mundo estaciona onde quer, mesmo que seja no viaduto.

viaduto são luís

A gente tá fazendo figuração só pra mostrar que todo mundo estaciona onde quer

Como iríamos ficar apenas uma noite, optamos por um hostel onde uma amiga já estava hospedada, o Solar das Pedras. O quarto de casal com banheiro estava disponível (espaço bom, limpinho, café de hostel, sem água quente no banheiro, dá pra contar as madeiras do estrado da cama com o corpo, traslado cobrado para aeroporto a qualquer hora, Wi-fi liberado).

Solar das Pedras HI

História boba de viajante que às vezes gostaria de ter mais dinheiro: eu vi na internet um quarto de hotel e fiquei louca pra me hospedar nele. A diária nem era tão cara, mas era o dobro do que a gente pagaria no hostel, então não rolou. Tava tranquila no pensamento “não vim aqui pra ficar em hotel mesmo”, até que passamos na porta. Eu TIVE que subir pra ver o tal quarto! (É lindo, mas a pousada tem outros beeeem mais simples, tem que solicitar na hora da reserva)

Portas da Amazonia

Aliás, indico a pizzaria da pousada Portas da Amazônia para quem optar por ficar no Centro Histórico à noite. Comida bem gostosa, num ambiente charmoso e preço ótimo! (E olha que estávamos acompanhados de dois italianos e eles nem reclamaram da pizza).  No mais, não gostei do bairro Reviver durante a noite não. Até percebemos viaturas policiais passando, mas achei meio inseguro e com uma infinidade de pedintes! É sério, nunca vi tantos reunidos em um só lugar e tão insistentes.

Durante o dia vale o passeio pelas lojinhas, que vendem roupas coloridas e artesanato, e pelos mercados (dê uma olhadinha no post sobre Sabores do Maranhão).

roupas maranhão

Ah gente, vamos fazer uma coisa? Acho que não vou conseguir ser justa para falar sobre São Luís pra vocês. Peço desculpas! Mas é claro que não vou deixar ninguém na mão. Vamos fazer o seguinte:

1-    Vou indicar o texto mais legal sobre São Luís que eu encontrei na internet. É do Matraqueando e vale muito a pena ler. 

2-    Vou deixar a minha amiga Andréa (aquela amiga que estava no Hostel) continuar daqui. Na volta do Maranhão para o Espírito Santo, ela ficou hoooooras nas conexões e aproveitou para escrever o que achou de São Luís. Vamos lá…

Centro histórico

Os prós e os contras de São Luís do Maranhão – Por Andréa Nunes

“Quando estava pesquisando o que fazer em São Luís, confesso que fiquei bem preocupada. Estando os Lençóis Maranhenses secos, a impressão é que não restava mais nada para fazer. Vi muito mais reclamações do que elogios. Com isso, assim como a Elaine, fui viajar sem grandes expectativas. Mas eu curti sim a viagem apesar de alguns probleminhas e, no avião, na volta para casa, resolvi fazer um levantamento dos prós e contras da capital maranhense, para ver como ficaria o meu balanço final.

Nós, a Andréa e uns Italianos apaixonados pelo Brasil

Vamos começar pela parte boa?

– São Luís possui riqueza cultural, tanto histórica quanto gastronômica, pelo menos no que se refere ao bairro Reviver, que é onde fica o centro histórico.
– O povo da região é acolhedor e me tratou muito bem. Ok, nem todos, mas o pessoal bacana que conheci lá compensou os que não eram tão bacanas assim. Me diverti com o vendedor de açaí contando as histórias do povo que acredita que misturar açaí com outras misturas, como leite condensado, mata. Ele contou que foi um dos primeiros na região a incluir leite condensado e fazer uma versão doce do produto, que lá é tradicionalmente consumido salgado.
– Proximidade de locais com belíssimas riquezas naturais, como é o caso de Barreirinhas.
– E esses lugares são tão lindos que vale à pena ir conhecer até mesmo na baixa temporada, quando os Lençóis estão secos (não é bem São Luis, mas tá tudo no mesmo pacote, né?)
– As agências turísticas são espertas e mandam uma van buscar o turista no aeroporto (a maioria chega de madrugada) para levar direto para Barreirinhas. São quatro horas de viagem e o preço acaba saindo bem atrativo.
– O clima é estável, sem as surpresas que costumam acontecer no Sudeste. Durante a viagem, todos os dias foram iguais: nublado pela manhã, com algum eventual chuvisco, e tarde ensolarada. As estações são bem definidas e com isso fica mais fácil se programar.
– O centro histórico possui artesanato com identidade própria, como é o caso dos azulejos pintados e a as peças feitas em palha de buriti. (nunca me esqueço quando entrava em lojas no Rio Grande do Norte e Paraíba e só via artesanato típico de Pernambuco)
– A capital possui praias bonitas (mas tem um grave porém aí nos contras)
– Embora eu não tenha visto durante minha viagem, o Maranhão tem manifestações culturais que me parecem muito bacanas, como o bumba meu boi e o tambor de crioula.
– Nem todo mundo vai concordar comigo, mas no centro histórico de São Luís há muitos gatinhos fofos que, segundo o pessoal do local onde fiquei hospedada, ajudam a controlar a população de ratos na região.

Igreja

Contras

– A desigualdade social é gritante. Vi algumas casas fantásticas perto da praia e muita, muita pobreza. De dar pena.
– A cidade é um pouco desorganizada. Andei em um ônibus tão velho que fiquei impressionada como ainda estava em circulação. E vi uma rua estreita, com calçada tão pequena que não cabiam duas pessoas lado a lado (juro), mas com vários carros estacionados. Os pedestres eram obrigados a andar na rua com grande risco de serem atropelados.
– As praias, apesar de lindas, são poluídas. Alto índice de coliformes fecais, porque, pelo que pesquisei por alto, o esgoto da cidade é jogado direto nas praias, sem tratamento nenhum.
– Essa parte é interessante: falta de estrutura para receber turistas e muita desinformação. Apelidei São Luís como a terra do “não sei”. Quando pedia informação, “não sei” foi maioria nas respostas. Isso quando não me davam informação errada! Perdi a viagem para Alcantara por causa disso, me passaram o horário errado do barco.
– Muita sujeira no centro histórico, e também havia risco de assalto à noite.
– Preços meio malucos. Paguei muito barato em algumas coisas e absurdamente caro em outras, como o caranguejo na praia, que saiu por R$ 5,50 cada. Em Vitória, há um restaurante que traz caranguejos do Maranhão e vende por R$ 1 mais barato. Como assim?
– Senti falta de opções de lazer em São Luís. Tirando as praias e o centro histórico, não restaram muitas opções.
– Dificuldade de achar o que comer à noite. Às 11h da noite de domingo, não achamos nada aberto no centro histórico e sequer uma pizzaria que fizesse entrega. Dormimos com fome.

Palácio dos Leões

E então, qual seria a conclusão disso tudo? Eu diria que o balanço é positivo. Apesar dos problemas da região, eu digo que a viagem valeu muito à pena. Mas acho que só posso dizer isso porque estava preparada para o que iria encontrar lá. Nenhum dos “contras” me surpreendeu, ou seja, foi só surpresa bacana. Por isso eu peço desculpas ao povo de São Luís que ama sua terra e deixo aí todas essas ressalvas.”

maranhense

DSC01505DSC01452

E eu peço desculpas a vocês por ter hesitado em escrever este texto. No final, tudo saiu bem melhor do que a encomenda, né? Obrigada por passearem com a gente! E até a próxima.

 

24 comentários sobre “O texto que eu não consegui escrever – São Luis do Maranhão

  1. São Luís tem à sua identidade cultural, mas os problemas são sufocantes, que até nos convidam a sair da cidade! Todos os segmentos, como desde à parte de saúde ao turismo, não temos inovação ou destaque… fico triste, porque é um povo, que precisa de investimento e ser valorizado… até porque temos pessoas inteligentes aqui. Deus tenha misericórdia, não só da Capital, como do Estado do Maranhão com um todo.

    Curtir

  2. Andrea… Muitas coisas q vc diz infelizmente é a realidade em nossa cidade principalmente a informação… Mais isso é um problema em geral no Brasil em diversas viagens minhas tive muita dificuldade em informações… Principalmente em Fortaleza… Já aqui em São Luis tem muitas outras coisas lindas pra se ver infelizmente a falta de informação e a má divulgação principalmente das agências de viajem é gritante… Mais se Vc ou alguém que vc conheça venha pra ilha de São Luís novamente pode entrar em contato comigo que ficarei feliz em indicar todo um roteiro para tentar amenizar essas lacunas existentes. Face Itaercio Junior e email Itaerciojunior@hotmail.com. Abraços!!!

    Curtir

  3. Li a seu comentário a respeito da cidade na qual resido. Confesso q fiquei assustada com as suas impressões, principalmente de apelidá-la como a terra do ”não sei”…
    Acho extremamente interessante em todas as viagens q vc ou qlqr outra pessoa fizer, procure ao máximo conhecer como funciona as coisas no lugar de destino…aqui tem tanta coisa legal pra se fazer…existem praias desertas , pouquissimas pessoas conhecem; lugar praticamente idêntico a barreirinhas localizado no municipio de raposa( 30min do reviver até lá d carro); restaurantes excelentes; barcos para travessia q custa 2 reais…

    Faltou pra vcs um pouco mais de comunicação ..

    Curtir

  4. Pingback: Sobre as passagens em promoção e o estrago no nosso orçamento | VIAGEM MASSA

  5. Bom tarde a todos, li tuas principais impressões sobre a cidade de São Luis, e senti a necessidade de fazer alguns esclarecimentos sobre problemas de infraestrutura que enfrentamos, e também para falar da diversidade ambiental, cultural e arquitetônica da Ilha, pouco percebida pelos nossos visitantes…
    Os carros amontoados no viaduto, conforme observações que fizeste, encontram-se assim porque atualmente enfrentamos um problema gravíssimo de trânsito. Infelizmente, São Luis chegou muito rápido a um milhão de habitantes, a capital maranhense por incrível que pareça tem uma das maiores frotas de carros do país. O resultado não poderia ser outro: congestionamento, desrespeito aos códigos e regras de comportamento em avenidas e viadutos, como tu mesmo percebeste. Entretanto, isso não é uma justificativa, pois nosso maior problema na verdade está na classe política do Estado, ou seja, o município de São Luís infelizmente sempre foi tratado com bastante indiferença pela parte destes que deveriam nos representar – e não estou me referindo apenas à oligarquia Sarney. Pois aqui há algumas facções que à procura de se afirmarem no poder, mal ganham uma eleição e imediatamente já estão pensando na próxima, ou seja, a preocupação política consegue ser maior do que a preocupação com a gestão pública – lastimável! Vou dar um exemplo: o último prefeito – adversário do atual – adquiriu para a cidade um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Porém, como ele não venceu a eleição, simplesmente, o VLT encontra-se estacionado, começando a sofrer os efeitos do tempo e do salitre. E até agora, estamos esperando uma posição da atual prefeitura. Vamos ver se desta vez a rivalidade política vai destruir mais dinheiro público às nossas custas! É difícil ser educado vivendo em meio ao caos citadino – uma floresta de lobos famintos à procura de seus próprios interesses. Onde está o erro? Na população que está comprando muitos carros? Ou nas autoridades políticas que não oferecem alternativa para seus cidadãos terem onde o fazer? Será que resumir tudo isso em falta de educação é uma conclusão esclarecedora? Creio que é mais complicado que isso… ainda mais em assuntos de trânsito onde aqui vive-se uma crise terrível que nos faz voltar a um estado de natureza. Como seguir as normas sobrevivendo nestas condições?
    Pedintes insistentes pelas ruas também me irrita bastante. Eu sou testemunha de que há muitos deles no centro histórico. O que me irrita na verdade é ver a contradição que há entre a imagem que se vende como propaganda turística da cidade sem alternativas concretas para o amparo das pessoas que vivem pelas ruas… Aqui não há uma política pública para resolver ou amenizar este problema – que é bom lembrar, não é um problema dos pedintes, mas daqueles que não foram capazes de preparar a cidade para receber o turista. Se as autoridades querem mesmo que SL seja uma cidade para o turismo, então é necessário que esta seja preparada, em todos os sentidos, inclusive, para o oferecimento de serviços 24h de modo que nossos visitantes não tenham que dormir de estômago vazio e roncando. Um absurdo! É claro que este problema poderia ser solucionado no lado da cidade nova (cafés, shoppings, restaurantes – na lagoa da Jansen, por exemplo, é um parque ecológico que tem vida noturna ), após a travessia da ponte sobre a baía, mas é claro, deveria haver lugares abertos na cidade velha, onde estavam hospedados, pois domingo à noite o centro histórico é uma cidade morta, de portas e janelas cerradas.
    Sabemos que a pobreza se alastra em todo o país, sobretudo nos grandes centros urbanos. Que soluções nós (cidadãos) poderíamos pensar para as pessoas que vivem nas ruas? Pois só a repressão, só retirá-las das ruas não resolve o problema… o que fazer? Isto sem dúvidas não é exclusividade de São Luis, pois é um problema nacional. É claro que em alguns lugares tem mais e em outros menos – mas é um problema generalizado. É BRASIL! E eu acho que limpar a área, no sentido de retirar as pessoas de lá e jogá-las sabe-se lá onde for, como se faz em outros lugares do Brasil não resolve o problema, só resolve o aspecto estético e visual que o turismo exige, é como jogar a sujeira da cidade embaixo do tapete – desculpa-me pela terrível metáfora, todavia mais terrível é a realidade sobre isso. Qual será a nossa visão sobre estas pessoas a pedir insistentemente? Somos obrigados a aceitar a presença delas? Claro que não! Eu já disse… não gosto, sinto-me incomodado. O que fazer? Não sei…
    E as praias de São Luís – não vou aqui justificar a poluição das praias, porque de fato estão poluídas, entretanto, vou explicar porque as praias daqui ficaram assim tão famigeradas. Poluição de praias e rios também é um problema nacional, não é exclusividade de São Luís. A diferença é que aqui as autoridades não podem mais camuflar esta vergonha, pois foi graças ao Ministério Público Federal que esta realidade ganhou as páginas dos jornais e da imprensa até nacional. Porém, não devemos fechar os olhos para a poluição do litoral brasileiro. Por exemplo: o despejo de esgotos nas praias também ocorre no litoral de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/962023-praias-do-litoral-norte-de-sp-tem-pior-poluicao-em-dez-anos.shtml), Fortaleza, Natal, Rio de Janeiro (http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2013/01/mpf-cobra-fim-de-poluicao-nas-praias-centrais-de-natal.html)/….. (http://globotv.globo.com/tv-verdes-mares/cetv-1a-edicao-fortaleza/v/praias-de-fortaleza-sofrem-com-a-poluicao/2436950/),….. (http://gemauff.no.comunidades.net/index.php?pagina=1577272924)…… e há lixo no litoral do Espírito Santo, também (http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2012/06/poluicao-nos-passos-de-anchieta-impressiona-participantes-no-es.html). Por que chamar atenção para o caso de São Luis? Por favor, não estou culpando vocês, mas é necessário prestar atenção para os acontecimentos que ocorrem à nossa volta, antes de olharmos para o outro lado do horizonte.
    Se houver uma próxima vez, numa próxima visita procurem o IPHAN e postos de atendimento ao turista. Eles existem, não sei como não conseguiram encontrá-los. Talvez faltou mais planejamento nesta viagem. Bom, acho que uma próxima visita é necessária, porque pelo visto não conheceram um terço da cidade (risos). A cidade não se resume ao centro histórico e às praias… por exemplo, nas proximidades do Reviver, há espaços de lazer muito bons, e que ao mesmo tempo são monumentos históricos e artísticos: o Teatro Artur Azevedo, por exemplo, em estilo neoclássico, é o segundo mais antigo do Brasil funcionando também como museu. Ele foi construído por portugueses, e seu formato foi baseado no teatro de plateia italiano, em ferradura. É uma casa de espetáculos imperdível de conhecer, e todos os meses tem vasta programação local. Foi lá nos camarins do teatro que nasceu a atriz Apolônia Pinto em 1854. Nesta época este teatro era referência em todo o império nacional. Seu nome homenageia o teatrólogo também maranhense Artur Azevedo, irmão de Aluízio Azevedo, o escritor e autor de “O mulato” e “O cortiço”. Também existe por ali o Convento de Santo Antônio, foi nele que o Padre Antonio Vieira deu um famoso sermão, chamado O Sermão de Santo Antônio aos Peixes, que foi pregado em 13 de Junho de 1654 em São Luís do Maranhão, criticando a elite maranhense da época do ouro branco, a próspera economia do algodão. Tem ainda por ali fontes d’água que serviram para abastecer tropas durante a expulsão dos franceses e holandeses do Maranhão pelos portugueses. Fonte do Ribeirão e Fonte das Pedras, estas possuem uma arquitetura tipicamente lusa, muito bonita e decorada com formas de carrancas por onde a água é jorrada. Precisam conhecer ainda a Praça Gonçalves Dias e a praça Maria Aragão. Em homenagem ao escritor maranhense autor da famosa frase “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá”, Gonçalves Dias tem lá seu monumento numa praça à beira da baía de São Marcos. Ali tem um museu muito bonito, que no período colonial foi a residência de um rico comerciante português. Chama-se Palácio Cristo Rei. Abriga obras de arte e exposições de artes plásticas locais e nacionais. E a praça Maria Aragão foi desenhada por Oscar Niemeyer. Então, lá se vê o contraste da arte contemporânea e do estilo colonial, já que ambas as praças estão lado a lado. Também há ao lado uma igreja em estilo gótico, enfim, não vou enumerar tudo que tem aqui para além do centro histórico. Mas no próprio centro histórico tem muitos museus. Mas não é só da cultura de origem europeia que devemos chamar atenção. A cultura de origem africana e indígena também tem aqui seus espaços de visitação. Além dos terreiros de religião sincrética, há ainda as casas de apresentações de reggae. Há os museus de cultura afromaranhense, e indígena, museu arqueológico, onde é possível conhecer a história e a origem dos povos aqui do Estado. Há o maior centro de artesanato do Maranhão que se chama CEPRAMA, este espaço no passado imperial foi uma fábrica têxtil. Também tem a Casa dos Artistas que é um espaço onde funcionam oficinas de artes plásticas, é lindo ver os artistas pintando quadros belíssimos sobre becos, vielas, azulejos, ruelas, janelas e sobradões da Velha São Luís – infelizmente abandonada pelo poder público. Temos um escola de música que fica num lindo palácio e estamos perto de inaugurar um museu da Língua Portuguesa – o segundo do Brasil, depois de São Paulo. Além dos atrativos arquitetônicos, artísticos e culturais, há também ecoturismo, ou seja, um passeio pelas dunas, áreas de manguezais e praias desertas e NÃO poluídas numa vila de pescadores chamada Raposa, dentro da Ilha de São Luís. O lugar é lindo e é lá que se encontram as famosas rendeiras que fazem redes, saias e outras vestimentas incrivelmente bonitas e coloridas. Também tem a religiosidade cristã que vale a pena conhecer suas representações por aqui. Ou seja, na Ilha de São Luis existe um lugar chamado São José de Ribamar, padroeiro do Estado. Lá existe um santuário bonito, tem um grande monumento de São José, tem uma gruta dos ex-votos, tem uma igreja e a praça onde estão várias esculturas que representam o nascimento, a paixão e morte de Cristo. O santuário está localizado à beira da praia. Bom, cansei de falar da Ilha de São Luís, as igrejas seculares, por exemplo, merecem atenção, mas não vou falar delas, agora. Espero que voltem por aqui e mudem as impressões ruins que ficaram em suas memórias. SEJAM BEM VINDOS, SEMPRE!!!! OBS.: Agora no mês de maio teremos em Alcântara a festa do Divino Espírito Santo, é uma festa grandiosa, muita estética e história, é uma representação teatral ao ar livre e em movimento, pois é um cortejo pelas ruas históricas da cidade, e a celebração é na igreja do Carmo, com altar todo construído em estilo barroco. São centenas de anjinhos talhados a ouro!Lindinha!!! Aproveitem!

    Curtir

    • João. São comentários como o seu que fazem o blog valer a pena. Sim, a viagem foi mesmo feita sem planejamento, como expliquei no primeiro post da série sobre o Maranhão. Os problemas que apontei existem, como você mesmo confirmou, mas sei que há também características maravilhosas, principalmente relacionadas à cultura, às belezas naturais e ao povo maranhense. Fico na torcida pelas melhorias necessárias. E voltarei, se Deus quiser, para conhecer um pouco mais das inúmeras qualidades do Maranhão. Um abraço. E muito obrigada.

      Curtir

    • Acho que vocês foram até bem educados nos comentários…Sou Ludovicense e penso igual, infelizmente estamos entregues às moscas e o nosso patrimônio histórico e cultural, cada vez mais esquecidos, depredados e os nossos políticos fecham os olhos e ouvidos para os nossos problemas. Querer justificar, nada! Enquanto a população achar que tudo é natural, que tudo está certo e é justificável, estaremos caminhando para trás, como sempre…, Há coisas boas, claro que sim, porém temos que tirar as vendas dos olhos e aceitarmos que temos de tudo, desde pessoas que jogam lixo pelas janelas(quer sejam dos carros novos e importados, como àquelas que vão apertadas nos ônibus velhos e sujos), nos faltam as praias, que sim estão ai poluídas para turistas verem ( e só verem mesmo, porque banhar…) Há sim uma desigualdade gritante e cada vez mais a população pobre será mais pobre e os ricos(que não são poucos por aqui) cada vez mais ricos. Bem vou parar por aqui, se não, me faltará espaço para tanto,porém lhes digo que Sao Luis tem seus encantos, e que olhar com os olhos do amor e da esperança de que algum dia, melhores políticos virão, que amarão de verdade essa cidade e que a população acorde de vez e não aceitem o errado como justificável e natural, poderemos melhorar essa bela cidade para o turista vir, ver e voltar…

      Curtir

    • Caro João, rsss, sabemos disso, mas falta muito esclarecimento ao próprio povo. E de uma maneira geral educação, em um sentido mais amplo.
      São Luis, com todo esse potencial enorme, ficou subjugado a inúmeros anos. Comerciantes e empresários que poderiam beneficiar a economia local com tantas coisas boas ligadas ao turismo – e isso seria um legado para melhorar a própria cidade – nunca decidiram forçar projetos de vulto aos governantes locais.
      São Luis não produz nada de grande valor econômico, como cidades de ponta como São Paulo ou Rio de Janeiro, mas tem uma gama de atrações turísticas enormes, a qual a população de uma maneira geral poderia tirar proveito. Mas, infelizmente, não.
      Infelizmente, a cada ano que vou a São Luis, visitar a minha família, volto triste, pelo total abandono da minha cidade.

      Curtir

  6. Estive em São Luís em Junho/2012 apenas por um dia em escala para os Lençóis Maranhenses. Fiquei hospedada em um hotel bacana na Praia da Ponta d’Areia. Ele tinha preços parecidos com pousadas do Centro Histórico e não ficava tão longe do centro. Achei o centro histórico meio abandonado, mas infelizmente não fica muito diferente de muitas cidades históricas aqui de Minas Gerais também. Achei surpreendente o Teatro Arthur Azevedo e o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho. Também fui a um Arraial. Achei a festa super organizada e que me possibilitou conhecer mais da cultura maranhense sem pagar nada!
    Ao final, achei que valeu a pena conhecer a cidade. 🙂

    Abraços,
    Lillian.

    Curtir

    • Oi Lillian. Tenho ficado bem feliz com os comentários nos posts sobre o Maranhão. Eu realmente gosto de gostar dos lugares e, neste caso, fiquei muito dividida. Cada vez que alguém escreve algo bom, dou um suspiro de alívio. Algumas pessoas com quem conversamos durante a viagem nos disseram que realmente é melhor ficar hospedado nos hotéis das praias. Eu quero voltar ao Maranhão, algum dia, para ver a festa de São Benedito em Alcântara. Abraço! Obrigada por passar por aqui.

      Curtir

  7. Tb já fui a S. Luís. A luminosidade do lugar é única e vc sua em bicas… Olha o texto que escrevi à época:

    São Luís não é uma cidade, são várias.

    Seu centro histórico, outrora bem cuidado, foi invadido pelo descaso que parece assolar a nação. Azulejos assentados em ruínas. É impressionante a dicotomia “morte da arquitetura (ou CTI) x vida das ruas”, o que está abandonado e que compõe a imagem urbana, é amplamente apropriado pela sua população e turistas e temos ruas cheias de gente, mesas e conversas e arte (ainda que em plena quarta-feira à noite). Gente “alternativa”, subemprego e gente “convencional” parecem conviver numa harmonia brasileira.

    Fora dali, S. Luís poderia ser S. João, Sta. Rita ou ter qq outro nome, mas a identidade cultural do seu povo nos resgata desse possível equívoco. A culinária, o sotaque peculiar, o sorriso sofrido mas nunca desenganado.

    Na Renascença, nome curioso para um bairro novo e que não renasce de nada, os prédios tentam alcancar os céus enquanto uma lagoa ainda sobrevive, numa babilônia que me remete ao Recreio dos Bandeirantes (bairro nada carioca mas que dizem que se localiza naquela cidade). Mas esta é apenas uma visão de uma galela. Uma visão sem embasamento racional. Vejo S. Luís com os olhos enamorados.

    Curtir

Oba! Comentários são uma alegria!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s