Coisas legais que ficam no aeroporto. Chicote pode?

Tem coisa que eu até deixo de propósito: revistas de fofoca que comprei para fazer o tempo passar mais rápido, livros que já li e acho que vão se tornar interessantes para outras pessoas. Tem coisa fácil de esquecer como casaco, necessaire no banheiro, carregador de celular. Mas eu quero falar mesmo é sobre aquelas coisas que somos obrigados a deixar, por imposição da Polícia Federal. Eu sei, segurança em primeiro lugar. Agradeço o empenho e quero até que se tornem cada vez mais rígidos, mas como  irrita deixar pra trás algumas coisas!  Tem objeto que chega a doer no coração. No começo, ficava bastante coisa minha: tesourinha, alicate, lixa de unha de metal (em uma das raras épocas em que minhas unhas não estavam roídas), um prendedor lindo de cabelo feito em resina azul que demorei horas para escolher. Aí comecei a reparar no que estava dentro da caixinha de acrílico e a pensar o que cada uma das pessoas que perderam aqueles objetos sentiu na hora. Consegue imaginar um legítimo canivete suíço completinho? Já vi na caixa. Um punhal todo trabalhado, certamente lembrança de algum local de viagem, também estava lá.  Desenvolvi uma antipatia crônica da hora de passar pelo detector e com o tempo fui me tornando uma especialista em não deixar nada que pareça potencialmente perigoso na bagagem de mão. Pelo menos era nisso que eu acreditava até que fui surpreendida, e quase perdi o voo, no aeroporto de Curitiba, no Paraná.  Foi na volta de um passeio com a família ao Parque do Beto Carreiro, em Santa Catarina.  Quem já foi ao parque sabe que o chapéu e o chicote são as marcas registradas e principais souvenirs. Pouco antes do fechamento dos portões, há um show muito bem produzido em que o chicote é importante pra controlar o cavalo, vencer o vilão e salvar mocinha que está presa em uma gaiola pendurada no teto. Na saída, o vendedor está na porta e a garotada faz fila pra comprar o chicote, que existe em todas as cores e custa em torno de 10 reais  (Eu acho um pouco perigoso essa coisa de chicote na mão de criança, mas mãe é bicho doido, cheia de cuidados exagerados, né?).  Bom, meu filho Gabriel, de dez anos, conquistou o dele e se esforçou pra fazer o barulho igualzinho ao feito pelos cowboys. No aeroporto já estava fera, chamando a si mesmo de Biel Carrero e dando chicotadas para tudo que é lado (juro, não atingiu qualquer passageiro).  E não é que logo o bendito do brinquedo tão adorado não pode passar?! Sim, chicote é proibido! E não é porque pode ser usado pra enforcar alguém, como nós imaginamos. É que tem um ferrinho dentro do cabo, envolvido pela corda. Marido tentou salvar a pátria e correu pra colocar o chicote na bagagem, mas as malas já estavam no avião.  A solução, que eu considerei brilhante, foi desmontar o brinquedo e guardar pelo menos o pedacinho de couro escrito Beto Carrero como recordação dos momentos especiais que vivemos no parque.  Isso evitou duas crises de choro, do filho sem brinquedo e da mãe comovida e estressada.

Em casa, fizemos um outro chicote com um pedaço de corda comprado na loja de material de construção. Também ficou bem bonito!

(P.S: tem uma atualização lá no final do post sobre isso)

Pra não passar raiva:

Na maioria dos voos domésticos a bagagem de mão deve ter até 115 cm e 5 kg, para que caiba embaixo do assento do avião ou nos compartimentos. Estão proibidos os objetos cortantes ou perfurantes (como tesoura de unha e canivete), armas de fogo, substâncias incendiárias, entre outras coisas. Melhor é consultar a empresa aérea e ler atentamente os avisos que costumam ficar no balcão dos aeroportos.

Nos voos internacionais o limite depende das normas da companhia aérea, mas também não dá pra levar os objetos cortantes ou perfurantes. Líquidos, pastas e gel só em recipientes de até 100 ml. Se comprar perfumes e bebidas no free shop, lembre-se de selar a sacola junto com a nota fiscal. No caso dos medicamentos, melhor levar a receita médica.

 E você, já esqueceu algo no aeroporto ou deixou algo especial na caixinha da polícia federal?

P.S: Levei um puxãozinho de orelha carinhoso do pessoal do Beto Carrero por causa deste post e fiz umas modificações. É que eu tinha colocado o preço do chicote em dólar e me lembraram que o Beto Carrero era muito apaixonado pelo nosso país, um embaixador do Brasil. Não ficava bem, né? Vacilo meu.

E outra coisa gente, nada de ficar fazendo o chicote em casa! Ele tem essa graça toda justamente porque traz com ele a magia do parque.

Obrigada por passearem comigo! E até a próxima!

4 comentários sobre “Coisas legais que ficam no aeroporto. Chicote pode?

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